Vírus HPV X Câncer de colo de útero

Magda Helena S H Ferrazza

Vírus HPV X Câncer de colo de útero

Atualmente existem evidências suficientes de que alguns tipos de vírus associados a infecções crônicas estão presentes no processo de desenvolvimento do câncer. No mundo estimam-se que 18% dos casos de câncer se deva a agentes infecciosos, percentual que os coloca, ao lado do fumo, como os mais importantes agentes cancerígenos, com destaque para o Papiloma vírus humano-HPV como causador do câncer de colo de útero.
O Papilomavírus humano é um vírus de transmissão preferencialmente sexual, considerado como a DST (doença sexualmente transmissível) mais freqüente no mundo. É um vírus da família Papilomaviridae, capaz de induzir lesões de pele ou mucosa, as quais mostram um crescimento limitado e habitualmente regridem espontaneamente por ação do sistema imunológico, sem necessidade de terapêutica.
A infecção genital ou anal pelo vírus HPV pode causar lesões benignas denominadas condilomas acuminados, verrugas genitais ou popularmente conhecidas como crista de galo, tanto em homens quanto em mulheres e lesões pré-cancerosas e câncer propriamente dito, principalmente do colo uterino. O grupo de vírus que causa a lesão benigna é diferente do grupo que causa a doença maligna. Estudos desde a década de 80 comprovaram que o HPV é o agente causador do câncer do colo uterino, que no Brasil representa 8,1% das neoplasias malignas em mulheres, inferior apenas aos casos de tumores de mama (20,6%).
Em média considera-se que 20-50% das mulheres sexualmente ativas estejam infectadas de alguma forma pelo vírus, manifestando infecção clínica ou latente. As infecções latentes, mais freqüentes são assintomáticas e passam a se manifestar no momento em que há uma diminuição no sistema de defesa (Imunológico) do indivíduo. As infecções clínicas ou produtivas tem várias formas de manifestação, indo desde pequenas lesões praticamente imperceptíveis até grandes lesões.
Estudos epidemiológicos estimam que a infecção por HPV venha atingir mais de 85% da população nos próximos 10 anos e se nada for feito para modificar esta tendência, um grande número de pessoas homens e mulheres poderão se infectar em alguma fase de suas vidas.
A transmissão do HPV se faz por contato direto com a pele ou mucosa infectada. A maioria das vezes (95%) é transmitida durante a relação sexual, mas em 5% das vezes poderá ser pelas mãos contaminadas pelo vírus, por objetos, toalhas e roupas, desde que haja secreção com vírus vivo em contato com pele ou mucosa não integra.
A infecção pelo HPV independe do sexo, sendo facilmente transmitida do homem para a mulher e vice-versa e até mesmo nas relações homossexuais. Entretanto, devido às características genitais diferentes, as manifestações e complicações desta infecção são mais freqüentes nas mulheres.
A presença de lesões planas, não visíveis a olho nu também facilitam a transmissão. Muitas vezes estas lesões são visualizadas apenas por métodos mais sofisticados no consultório médico ou através de exames como colpocitologia oncótica (exame preventivo- Papanicolaou), biópsias ou exames de laboratório como captura hibrida e PCR.
Quando o HPV causa lesão no colo do útero, essa lesão passa por três etapas antes de se transformar em câncer. A nomenclatura usada para estas etapas são: neoplasia intra-epitelial cervical (NIC) grau 1, 2 e 3. O tratamento nestas etapas leva a uma melhora significativa da doença e impede a progressão para câncer, por isso a importância do conhecimento sobre a prevenção e tratamento deste vírus.

Dicas de Prevenção ao vírus HPV

-Uso do preservativo nas relações do início ao fim
-Evitar múltiplos parceiros
-Realizar exames preventivos- Papanicolaou
-Vacinas bivalentes e tetravalentes